Arquivo por Autor

Eu quero é caminhar

Azul celeste no céu. Friozinho ao amanhecer e ao entardecer. Dias quentes com longos períodos de sombra e brisa fresca. Não existe época melhor do que outono e inverno para caminhar.

Muita gente diz que nestas estações – outono e inverno – dá preguiça de praticar atividades ao ar livre. E que a vontade de ficar em casa, vendo um filme e tomando um bom vinho, é a melhor pedida. Por outro lado, é nessa mesma época do ano que a natureza abre e compartilha com os mais aventureiros, alguns de seus segredos. Segredos estes que, no verão e na primavera, permanecem escondidos, impossíveis de se notar.

São muitos os vales entre as montanhas da Serra do Mar e os rios que atravessam a floresta e correm para o mar. No outono e no inverno, os pássaros estão mais tímidos nos seus cantos, mas mais próximos do nosso olhar. O colorido é menos diverso, mas mais intenso, forte e duradouro.

Escurece cedo, o céu azul celeste ganha uma tonalidade alaranjada, que nos despede do dia e traz a noite estrelada, fria e silenciosa para que breve o corpo possa descansar. Muitas vezes nos sentimos fracos e cansados com a correria do trabalho, as atividades rotineiras, as inúmeras responsabilidades assumidas, ou simplesmente por não termos nossos sonhos e desejos compreendidos ou atendidos.

Sugiro que pensemos na possibilidade de ficarmos sim, cansados. Mas desta vez; cansados de caminhar. Usaremos menos nosso pensar, equilibrando a vontade de sentir ar puro e de escutar mais o silêncio. Movimentaremos tudo que não nos pertence mais. Caminharemos mais leves, alegres e confiantes em direção aos nossos propósitos, celebrando cada passo dado.

            Aqueles que já experimentaram a sensação de liberdade vivida durante uma subida a montanha devem concordar comigo: não há melhor estação no ano do que o outono e o inverno para criar coragem, sair da zona de conforto e dar início à caminhada.

Os programas da agenda outono / inverno da Gondwana Brasil Ecoturismo pretendem te colocar em movimento. Confira a agenda no nosso site e aproveite!

Agenda Outono – Inverno Gondwana Brasil - http://www.gondwanabrasil.com.br/?s=agenda

Nós preparamos para você:

- Escapada para o Marumbi – roteiro de 1 dia incluindo a famosa viagem de trem pela Serra do Mar, visita a estação Marumbi e o museu da estação, caminhada leve para o Rochedinho com direito a piquenique no final da caminhada com vista para toda a Serra do Mar.

- Final de semana na Ilha do Mel – com possibilidade de visita a Ilha das Peças para atividade de canoagem e observação dos golfinhos. Um programa de no mínimo 2 dias e uma noite, com pernoite na Ilha do Mel, aproveitando as tarifas mais baixas fora de temporada alta e a tranquilidade das praias e vilarejos. 

Para comemorar o dia dos namorados – temos várias opções de pacotes no feriado de Corpus Christi ou no final de semana do dia 16 e 17 de junho, com surpresas especiais para o casal.

- Montanhismo no Marumbi – Trilha do Abrolhos. Quem nunca teve vontade de ter uma experiência de escalar uma montanha? O Marumbi é o berço do montanhismo no Brasil, além de sua história, nos proporciona experimentar a grandiosidade de suas paredes e vales. Um programa para quem já tem um preparo físico melhor, pois a trilha é pesada e demanda técnicas de escalaminhada. Para esse programa incluimos guia de montanha, equipamentos de segurança, carro de apoio 4×4 na estação de engenheiro lange, hospedagem na Pousada em Morretes, além do segundo dia livre e transfer de retorno para Curitiba.

- Pedal Graciosa e Circuito Ecológico de Bike em Morretes – 2 dias e uma noite. Um programa para toda a família, amigos e casais. Não precisa ter experiência e bike. Apenas disposição e vontade de se divertir pedalando pela Serra da Graciosa e pelas estradas rurais de Morretes.

Não fique de fora … veja as datas e se programe com a Equipe Gondwana!

Image


Quero aprender a olhar

 * Por Daniela Meres
Não sei de onde vem nem quais as razões de uma vontade que está cada dia maior em minha vida. É um desejo profundo de querer aprender a olhar as coisas, as pessoas, o mundo e suas relações de maneira diferente.

Acredito que grande parte dessa vontade vem do cansaço de observar, conviver e escutar sempre as mesmas notícias e atitudes. Situações que insistem em ficar no ar. Imagens, muitas vezes negativas, ocupam espaços importantes em nossas memórias e mentes, cristalizando sentimentos e padrões, que, na verdade, já não nos pertencem mais.

Quero aprender a olhar. De repente, me dei conta de que foram poucas às vezes em que consegui desenvolver meu próprio jeito de ver o mundo e a vida. A gente absorve opiniões, preocupações, critérios, verdades e mentiras que não nos deixam perceber que esse olhar não é o olhar da nossa alma, muito menos da alma dos outros.

Quantas vezes voltamos para o mesmo lugar sem mudar nossa percepção de tudo que está a nossa volta, a nossa disposição e, de repente, deparamo-nos com uma bela surpresa da natureza, que, na verdade, sempre esteve lá. E quantas outras vezes criamos expectativas a partir de imagens feitas por outras pessoas, outras almas e outras naturezas.

Nada precisa ser certo, igual, melhor, pior ou diferente. As coisas só precisam ser verdadeiras. Precisam vir do coração de cada um.

Diante de tudo isso, quero me abrir não apenas para as perfeições que a natureza tem para oferecer, mas também para as imperfeições que ela pode mostrar. Quero aprender a olhar tudo que estão tentando nos ensinar. Seja em casa com a família, em viagens com amigos ou desconhecidos, seja numa situação triste, no trabalho ou no lazer… a vida quer que a gente aprenda primeiro a amar, para depois então, educar o olhar.

* Que depois desse post, ficou com vontade de também aprender a  fotografar!

 

foto: Priscila Forone


GRATIDÃO

Por Daniela Meres

Presença, equilíbrio, saúde, felicidade, amizade e amor. Todos nós buscamos isso. Quando construimos nosso futuro é nisso que apostamos.  A idéia de que essas coisas tem que ser parte de um sonho futuro apenas, me incomoda.

A cada encontro, a cada viagem, a cada desafio e a cada silêncio que vivencio confirmo que as melhores coisas da vida são as mais simples. Uma casinha de madeira com janelas coloridas, crianças brincando e cantando, a chuva caindo, um copo de água, a gratidão pela nossa família.

É no mais simples e nos pequenos detalhes que os milagres se revelam. É na pausa em meio à correria e desafios do dia a dia que o inusitado se apresenta e te devolve o sentido de fazer parte de algo maior – te devolve o direito de fazer o seu caminho.

Se comer, beber e respirar é essencial para nossa sobrevivência, digo que agradecer é tão fundamental quanto. Recentemente, em uma aldeia indígena (dos índios Assarios e Kogi) na Colômbia, tive uma experiência de gratidão. Um lugar – no meio da Serra Nevada – em que as pessoas ainda são donas de seu tempo, de suas casas e de suas mentes.

Lá, no meio da floresta, em frente a uma cachoeira, um menino pajé de vinte anos de idade me perguntou: você consegue ouvir as vozes da natureza? Consegue escutar os espíritos desse lugar? Então ele entrou num momento de transe, numa profunda meditação e me convidou para sentar com ele. A comunicação não aconteceu verbalmente, nem por olhares. Foi uma sintonia entre mentes e corações. Não sabia exatamente a diferença entre meu corpo e o balanço das árvores. Deixei fluir junto com a água da cachoeira, que não tem fim.

Sabia que tinha que voltar. Pedi permissão para fazer aquela passagem e me despedir, mas antes, eles me pediram um “pago” (oferenda). A princípio pensei em dar algum dinheiro, fruta ou colar. Mas não era nada disso que tinha em mãos e certamente não era o que eles queriam receber. O que eu deixei naquele lugar foi: amor puro, gratidão e o desejo de algum dia voltar.

Hoje, sigo viajando e conhecendo lugares que me encantam, pessoas que me transformam e experiências que me preenchem. Nunca mais vou esquecer de como é sagrado tudo que nos é proporcionado.

Muitas vezes só precisamos sair de casa, de perto da família e dos amigos para ter uma melhor compreensão de quanto somos abençoados. Outras vezes basta apenas conhecer o diferente para abrir novas possibilidades. Mas são raros os momentos em que lembramos de agradecer  tudo isso e mesmo assim a vida continua a nos proporcionar abudancia, encontros, desafios e muitas viagens.

Agora sim … agradeço a minha vida e a todas as pessoas, viagens e encontros que contribuem para que ela seja mais bonita, mais desafiadora, mais intensa, mais simples e mais natural.


Casamentos e separações – o que uma viagem pode fazer com você?


 * Por Daniela Meres

 

Faltam poucos dias para o meu casamento. E como ultimamente só tenho pensado nisso, desta vez, vou aproveitar este espaço para falar de casamento e viagem.

Grande parte das pessoas que casam quer uma viagem de lua de mel. Sonham com uma praia de mar azul, hotéis aconchegantes – luxuosos ou não – muita diversão e romance. Mas não é exatamente disso que quero falar. O elo entre viagem e casamento vai mais além.

Acredito que para embarcar numa viagem de casamento precisamos, antes, ”sair da casinha”, literalmente. Arrumar as malas e viajar é tão importante quanto agarrar as oportunidades de trabalho e cursos que aparecem na nossa vida. É na vivência diária e prática que a gente se encontra com o outro e, consequentemente, com a gente mesmo.

Podemos casar e nos separar várias vezes durante uma única viagem. Às vezes com outras pessoas e algumas vezes, com a gente mesmo. O diferente que antes estava longe, agora compartilha dos mesmos caminhos. O esquisito que estava fora de tudo, agora faz parte de mim.

Não é questão de ser vulnerável a situações, pressões da sociedade ou um grupo de pessoas. É simplesmente o direito de experimentar, de aceitar ou de negar, de adaptar e até de reinventar a vida. Os aprendizados proporcionados por uma viagem ajudam e aproximam: ensinam a compreender melhor o outro e nos faz mais amorosos e flexíveis com o mundo. Opa, isso é fundamental para aqueles que pretendem se casar: “ser amoroso e flexível”.

Viajar sozinho não é o mesmo que estar sozinho. Viajar sozinho é poder escolher com quem e o que fazer a cada momento. Esse aprendizado me fez perceber que eu poderia ser quem eu quisesse, a cada novo amanhecer. Simplesmente ser, ao invés de ter que ser. Livre de nome e sobrenome, idade, profissão, classe social, grupo escolar, enfim, de todos os rótulos que de certa forma me moldam em meio à rotina. A sabedoria de conduzir a vida com propósitos, sem querer controlar tudo o que acontece, é para poucos. Os viajantes sabem muito bem disso.

E agora que pretendo construir uma vida em família, fortaleço mais ainda a idéia de que é preciso ter propósitos, mas ao mesmo tempo, ser criativo e livre para lidar com os imprevistos, e reinventar a história a cada dia. Não existe regra, não tem jeito certo, tudo é a gente que constrói.

O não estar mais sozinha não quer dizer que não serei mais só. Isso continua, e a vontade de mochilar também. Gosto e respeito isso em mim, como também quero respeitar essa vontade no outro. Mas agora, no meu momento noiva – prestes a ritualizar um dos momentos mais importantes da vida – quero ter o prazer de viajar também. Uma viagem para experimentar e vivenciar a dois. Muitos casamentos e separações poderão acontecer nessa viagem. Não me preocupo com isso … o que eu quero  é viver!

Colômbia que nos aguarde; em novembro estaremos por lá.

* que não vê a hora de conhecer a cidade de Cartagena de Indias…


Pedal Ilhas Lagamar – um roteiro para a alma.


Por Daniela Meres*

Pedal Ilhas lagamar - Ilha das Peças

Bicicleta está na moda e as viagens de “bike” são cada vez mais comuns. Pense: onde cabe um carro, cabem várias bicicletas. Assim, as possibilidades de rotas tanto por estradas como por pequenas trilhas são infinitas para quem vai de bicicleta.

Muitos roteiros ganham atrativos a mais quando realizados de bike. O vento batendo no rosto, a passagem lenta e prazerosa pelas paisagens e o encontro com nosso ritmo natural não tem preço. Quanto mais longe se vê, mais longe se quer chegar. O Lagamar é exemplo disso. Bom demais ir até lá e ir de bicicleta então, melhor ainda.

Por do Sol em Superagui

Em junho, no feriado de Corpus Chirsti, fui guia do grupo da Gondwana pelo Pedal Ilhas Lagamar por 4 dias. Foi o segundo ano que tive o prazer de pedalar pelo litoral paranaense – repleto de recortes e ilhas – , abençoado e protegido pelo desenho de sua baía. E toda vez que faço essa viagem me passa pela cabeça e pelo coração que a natureza é demais de generosa com as pessoas, principalmente com aquelas que se relacionam e cuidam dela.

Assistir ao pôr do sol sentada no trapiche da Ilha das Peças e observar o  espetáculo que é a relação de cooperação entre botos e pescadores da Ilha no momento da pesca é memorável. O desenho da Serra do Mar, sempre presente, imponente. O verde dos manguezais lembra que a região é uma das mais ricas em alimento e geração de vida no mundo, e que guarda um dos últimos remanescentes de Floresta Atlântica do Brasil. Sagrada e bela por natureza. Complexa em sua biodiversidade e simples em sua cultura. Lugar que remete ao ser natural: viver em comunidade, de maneira autêntica e simples.

Percorrer o Lagamar de bicicleta tem várias vantagens. Conhecer diversas praias e ilhas no mesmo dia. Chegar com fome nas cozinhas comunitárias e apreciar o preparo de uma deliciosa comida caiçara (arroz, feijão, farofa, salada, filé de peixe fresco, molho de camarão e um pirãozinho para completar). Poder dormir debaixo de uma sombra, de frente para o mar e quando acordar, tomar um cafezinho preto e comer um bolo de chocolate sem culpa. Pedalar na praia deserta sem se preocupar com direção, velocidade, subidas, curvas e descidas; é só seguir em frente, confiar. Não existe pressa, o segredo é descobrir o próprio ritmo e depois brincar com o ritmo do lugar. A gente até se acha um pouco lento no início, mas depois que interage com o ritmo da maré, a ansiedade vai embora, o brilho do sol acalenta e sentimos o melhor do presente, que é estar lá.

Passeio de Canoa na Ilha das Peças

Das pessoas desse lugar, guardo só boas histórias. Os pedidos de casamento do Sr. Alcides nos bailes de Fandando em Superagui (um senhorzinho de mais de 80 anos, fandangueiro), as noites de bingo na Ilha do Cardoso, o cuidado e a timidez dos condutores locais, as lendas e os mitos dos pescadores e a alegria das crianças que por lá correm livres, sem muros e ruas, e que nem sempre vão para as salas de aula – a escola também se faz no mar.

Para mim, o Lagamar é um dos lugares da alma. Lugar que me faz sentir em casa e sempre querer voltar. E de preferência, de bicicleta.

* Que Agradece muito aos companheiros de viagem desse roteiro e que não vê a hora de voltara pedalar por lá!!!


Viajar, transformar e movimentar …

Por Daniela Meres*

Viajar. Verbo antigo, ligado diretamente ao ato de peregrinar e percorrer vários lugares – distantes ou próximos – e que nos coloca em movimento.

Na infância, viajar significava, para mim, estar em família, visitar parentes distantes, ir paraa fazendados tios, encontrar os primos e brincar. Já na adolescência, viajar era estar com os amigos, caminhar sem os pais, descobrir minha independência e individualidade.

Com o passar do tempo, as viagens se tornaram algo mais profundo. Já não bastava sair em busca de lugares conhecidos. A companhia dos amigos foi substituída pela minha própria companhia, e a proteção dos pais se tornou as mãos do universo.

Viajar começou a ter um significado e um poder de transformar.  O contato com o outro, com o diferente, com o incerto e o imperfeito me ajudou a enxergar as várias partes do meu eu que não conhecia. Olhar para fora foi essencial na minha vida; fez-me olhar para dentro.

O caminhar em harmonia com minha natureza me ajudou a aprender a fluir e confiar na vida, ter respeito e gratidão pelas vitórias, acertos e encontros. Mas também pelas derrotas, falhas e desencontros. O caminhar em harmonia com minha natureza fez ainda mais; proporcionou transformações fundamentais para que eu pudesse encontrar o equilíbrio entre os mundos que alimento dentro de mim.

Hoje, viajar ainda é transformar coisas em mim, e se isso acontece é porque eu também transformo algo no outro. É um ciclo; uma grande troca. Um movimento que não tem início e nem fim.

Viajar para movimentar traz a consciência do todo e me faz sentir cada parte do mundo como uma parte do meu próprio corpo. O movimento é integrado ao movimento do universo. E cada lugar me toca de maneira particular e única. Desperta uma parte de mim, para que eu possa ser cada vez mais livre e dona do meu próprio destino. É aqui que descubro que a independência e individualidade da minha juventude podem ser transformadas e resultar em interdependência e maturidade do meu ser.

Acredito que nessa vida um dos grandes segredos é nunca parar de se movimentar. E por esse motivo quero viajar pelo mundo e permitir as transformações necessárias, sempre em harmonia com o movimento do todo, o movimento de todo mundo.

* que nesse inverno não quer ficar parada … quer viajar, transformar e se movimentar!


Sentar em Círculo – um chamado para a nova tomada de decisões!

*Por Daniela Meres

Sempre gostei e participei de encontros com grupos e trabalhos voluntários em diferentes tipos de organizações com propósitos coletivos. Viver no coletivo faz parte de mim, na realidade, faz parte de todos nós.

Acredito que participar destes grupos é poder contribuir com as mudanças e inovações – tão necessárias ao mundo – compartilhadas pelos membros de cada grupo. Esta é uma das motivações que me faz querer fazer parte destes processos. Mas não a razão principal.

Depois de alguns anos me percebendo e observando companheiros dessas longas e intensas jornadas conclui que ainda é bastante desafiador aprendermos a tomar decisões em grupo, mesmo com propósitos coletivos.

Será que desaprendemos a comunicar com o outro? Ou será que esquecemos que cada um de nós tem uma sabedoria e potencial único para manifestar no mundo? Certamente, cada ser humano tem uma necessidade que deve ser considerada e não simplesmente julgada.

Para mim fica cada vez mais claro que fazer parte desses grupos e trabalhos com propósitos coletivos serve também como escola. Nós estamos na busca contínua de aperfeiçoamento pessoal para que possamos contribuir com a mudança que queremos ver no mundo. Todo mundo diz que a gente não muda ninguém, só nós mesmos. Só que para mudar algo dentro de mim, eu também preciso do outro. E é aí que começa o barato disso tudo; nas relações e na forma como lidamos com os processos coletivos. Se eu estiver com o coração aberto, minha fala e minha escuta serão do coração. E quando falamos do coração, expomos as reais necessidades e não os julgamentos.

E quando falo em tomada de decisões e falas do coração … vem forte a importância do consenso.

 “Consenso: maneira pela qual um grupo de iguais toma decisões. O processo se apóia na crença fundamental de que cada pessoa tem um pedaço da verdade. Desta maneira, cada membro do grupo deve ter espaço e tempo para falar da sua verdade e ser ouvido com respeito.”

O processo de consenso evolui a partir de duas fontes principais: de algumas tribos indígenas das Américas e da Sociedade dos Amigos (os Quakers), um grupo religioso protestante que surgiu na Inglaterra no século XVII. Na tradição indígena persiste o costume de se sentar em círculo para discutir problemas da comunidade antes de tomar decisões. Um aspecto distinto nessa tradição é o peso dado à voz dos idosos e à conexão do grupo com o mundo da natureza. Os Quakers têm uma crença poderosa na não-violência e na igualdade. Acreditam que cada pessoa tem uma luz divina e que ninguém está acima de ninguém. Os Quakers têm uma história escrita de mais de 300 anos de tomadas de decisões com consenso.

Desde cedo, o consenso pode ser desenvolvido em casa, com nosso pequeno grupo familiar, para depois se expandir para grupos maiores. Mas todo e qualquer tipo de grupo pode ser consensual. Uma reunião de trabalho, a decisão dos móveis da casa, a escolha da viagem de férias, reuniões político-partidárias, decisões governamentais, estudantis, classistas, etc. Onde houver mais de um, é possível praticar o consenso.

Sim, exercitar o consenso demanda comprometimento, paciência e trabalho. Mas vale muito a pena; constrói comunidades e grupos infinitamente mais fortes e felizes.

Faço aqui um convite a todos para que se sentem em círculo todas as vezes que uma decisão tiver que ser tomada. A experiência vale muito e pode trazer boas transformações.

*que não vê a hora de sentar em círculo com novos governantes, lideranças e em comunidades.

Estar em Círculo


Notícias positivas x Notícias catastróficas – o poder de pequenas atitudes em momentos de grandes dificuldades

Por Daniela Meres*

Há mais ou menos três anos, conheci um jornal inglês chamado “Positive News” – em português: Notícias Positivas. Lançado em 1997, o jornal tem como principal propósito fortalecer na mídia iniciativas de pessoas, comunidades, empresas e Ongs que se dedicam e trabalham a favor da paz, da sustentabilidade e de uma economia mais justa no mundo todo. Infelizmente, tais temas são pouco citados e abordados nas grandes mídias com real poder de influência e capacidade de espalhar informação.

Num momento de grandes catástrofes no mundo e perto da gente, como as chuvas e enchentes no litoral do Paraná, é absurdo o número de notícias e reportagens que destacam os acontecimentos de forma negativa, destrutiva e muitas vezes nos faz sentir impotentes – não há nada o que fazer, já foi tudo destruído e agora só nos resta esperar que o Governo tome alguma atitude ou rezar para parar de chover.

Relatar o que está realmente acontecendo nas cidades, reconhecer o sofrimento das vítimas, alertar sobre as necessidades de cuidado nas estradas por conta das quedas de barreiras e pontes são atitudes importantes e necessárias nos primeiros momentos, até para evitar qualquer tipo de frustração e acidente nas regiões mais afetadas.  Mas, mesmo depois de tanto caos, não podemos resumir o lugar, suas histórias e suas imagens apenas em coisas ruins. Lendo diversas matérias, tenho me perguntado: onde foram parar as notícias positivas? Como fica a imagem de um destino turístico reconhecido nacionalmente por suas belezas naturais, histórico-culturais e suas praias, depois de tantas imagens e notícias negativas?

Neste ano de 2011, a Adetur Litoral (Agência de Desenvolvimento do Turismo Sustentável do Litoral do Paraná) – Governança de Turismo da Região – vai completar quase seis anos de trabalhos e ações no litoral envolvendo mais de 200 empresários dos sete municípios, em projetos com o Ministério do Turismo, a Secretaria de Estado do Turismo, o SEBRAE-PR, as prefeituras dos Municípios e a comunidade local, totalmente direcionados em consolidar a região como Destino Turístico Nacional e Internacional do Brasil. A nossa dedicação se faz em prol de uma oportunidade de gerar renda e negócios na região com sustentabilidade, incentivando e valorizando o desenvolvimento do potencial turístico, com a perspectiva de fortalecimento de redes locais, e um melhor aproveitamento das áreas protegidas. Áreas estas, reconhecidas mundialmente pela Unesco como Patrimônio da Humanidade por guardar um dos maiores remanecentes de Mata Atlântica contínua no Brasil.

Apesar de alguns desafios e impactos ocasionados por imagens e notícias negativas, faço um convite a todas as pessoas que guardam memórias de viagens, encontros e experiências positivas do litoral paranaense a fazer um resgate interno. Vamos reconstruir a imagem desse lugar que tanto nos acolhe e enriquece como paranaenses e como povo brasileiro. Se sentirem vontade de ir até lá visitar amigos, familiares, almoçar em algum restaurante, ajudar nos trabalhos voluntários, levar doações, passear pelas praias e baías, ouvir contos e histórias, saibam que atitudes simples assim farão diferença. Além de colaborar com a região em um momento de dificuldade, isso nos aproxima de pessoas, lugares e histórias que certamente nos transformarão e nos ajudarão a resgatar um sentimento de pertencimento a algo maior, onde o que mais importa é a vontade de se doar para poder compreender e aprender com o diferente.

E voltando às notícias positivas, a Gondwana, junto com parceiros locais tem várias opções de roteiros, atividades de lazer e também trabalhos voluntários que podem ser realizados no litoral do Paraná. Além disso, se você está pensando em ir para o litoral na Páscoa, não mude seus planos. Agora você tem mais razões para ir em frente e fazer dessa viagem uma experiência diferente. As estradas já estão sendo restauradas e o fluxo de carros normalizado. Tem barco novo saindo de Morretes direto para a Ilha do Mel, tem várias iniciativas de turismo de base comunitária em Antonina e Guaraqueçaba para visitar. Em Guaratuba, ótimos hotéis, passeio de barco pirata pela baía e cultivo de ostra nativa para degustar. As praias e o visual da Serra da Prata em Matinhos e Caiobá. E para os mais curiosos, que gostam de observar,  fotografar e estar no meio da natureza, a Reserva do Sebuí é um lugar de Mata Atlântica quase intocada, com estrutura de um ecolodge – refúgio no meio da  mata – com atividades de canoagem, caminhadas, pescaria e observação da vida selvagem, localizado no meio do Canal do Varadouro e bem guardado pelas comunidades caiçaras que ali mantém viva sua cultura e forma de vida.

Mais notícias boas? Espero agora receber de outras pessoas e outras redes, e quem sabe até lançar o nosso jornal :Notícias Boas do Litoral do Paraná!

*Que agora quer fazer o jornal Notícias Boas do Litoral do Paraná circular por todo o nosso Brasil.

Este slideshow necessita de JavaScript.


Encontros de dois mundos ou desencontros profundos?

Por Daniela Meres*

Sempre que conheço lugares denominados territórios sagrados por ali habitarem comunidades tradicionais antigas me pergunto: onde foi parar toda a sabedoria, cultura, conhecimento e força que ali existia?

Desde meus vinte anos tenho sido despertada para uma visão de mundo em que o ser humano faz parte da natureza e vice-versa. E tanto natureza como ser humano pertencem a algo maior; o universo cósmico.

Há mais ou menos quinze dias participei de um ritual sagrado numa comunidade indígena Guarani – realizado dentro da tradição Tupy Guarani – com muita simbologia, ritos de cura, cantos, danças, comidas sagradas e celebração da vida. Minha intenção era rezar e pedir perdão a todos os povos da floresta. Pedir perdão por nossa falta de cuidado com a Terra, por nossa ignorância em relação aos saberes tradicionais, por não escutarmos as vozes da mata, pelo mau uso dos conhecimentos sagrados, pela dominação de seus territórios, culturas e às vezes, até de sua espiritualidade.

Durante milhares de anos, os povos originários desenvolveram uma relação com a Mãe Terra a partir da concepção de que ela é sagrada. Assim, cada ação da vida, por mais insignificante que pareça, é parte de um ritual cotidiano de reencontro com forças da natureza, espíritos de antepassados e nosso próprio universo cósmico interior.

Foi a partir da própria Mãe Terra que os povos indígenas aprenderam a habitá-la. E quando acontece de perderem suas terras, perdem também o sentimento de pertencer. Deixam de ser habitantes e passam a ser apenas sobreviventes em territórios estrangeiros.

No Brasil, grande parte das áreas verdes protegidas faz sobreposição a terras indígenas e/ou comunidades tradicionais que ali habitam há centenas ou milhares de anos. Tais comunidades guardaram estas florestas e continuam na luta para manter suas formas de vida, valores e conhecimentos passados de geração a geração, na esperança de manterem vivas suas culturas.

Inspirada pelo texto “Turismo Sustentável x Reciprocidade Solidária” de Moira Millan, representante Mapuche do Chile, refleti também a respeito de como ainda praticamos atos de violência contra essas comunidades. Entramos em seus territórios sem pedir licença e desprezamos toda a inteligência e organização ali presentes.

Para mudar isso e aproximar dois mundos diferentes acredito que o turismo sustentável pode ser uma ferramenta muito útil. Pode possibilitar que compreendamos a diversidade na individualidade e a individualidade na diversidade por meio de diferentes experiências. A viagem entre mundos é mais profunda do que transitar por diversas geografias, culturas e lugares bonitos. E para experimentar o diferente, descobrir novos territórios internos, aprofundar o autoconhecimento e gerar transformação não basta apenas querer. É fundamental o encontro e o contato com a natureza e com os povos que a habitam.

Não é possível continuarmos construindo um turismo sustentável com base em nossas expectativas – sem real comprometimento com os locais visitados – permitindo instalação de mega projetos turísticos com altos impactos ecológicos, sociais e culturais.

Olhando mais à frente vejo que temos algumas alterantivas de mudar a história do turismo sustentável. Fortalecer projetos e ações que tragam princípios de troca justa entre os dois mundos, na medida certa para cada um dos lados. Propor cursos e aulas ao ar livre sobre temas variados, trabalhos comunitários, convivência com a comunidade no marco de atividades coletivas benéficas para seus membros e de forte impacto espiritual, moral e vivencial para os viajantes é o começo de uma reciprocidade solidária.

Faço aqui um apelo aos viajantes “entre mundos”. Tenham mais cuidado ao entrar em terras sagradas. Observem suas atitudes e julgamentos. Pois, por mais que as comunidades e povos que ali habitam não demonstrem medo ou preocupação com nossa presença, somos estrangeiros. E se acontecer de não enxergar o que existe por trás de silêncios e olhares durante os encontros, tenha paciência, pois o controle e a permissão para abrir as portas não está em suas mãos.

Finalizo minha reflexão retornando ao questionamento inicial; afinal, para onde vai toda a sabedoria, cultura e força dos povos originais mesmo quando já não habitam mais suas terras sagradas?

Permanecem eternamente guardados e guardiões desses lugares.

* Daniela Meres que a cada encontro com esses povos aprende a valorizar mais a vida simples e a celebrar a natureza.


Que tal viajar por um Brasil melhor?

*Por Daniela Meres

Num país que é quase do tamanho de um continente, as possibilidades de novos destinos e diferentes viagens são infinitas. Muitas vezes nem é preciso ir para longe de casa pra descobrir cidades históricas, santuários de belezas naturais e comunidades que ainda guardam costumes, tradições e dialetos. Mas quantos destes destinos, comunidades e roteiros, nós, brasileiros, conhecemos ou estamos dispostos a conhecer?

Em 1994, com o advento do Plano Real, o mercado de turismo no Brasil despertou; a melhoria da economia interna e a nova política cambial conseguiram equivaler um dólar a um real. Um tempo depois, veio a desvalorização do real e então o país se abriu para o mundo como um destino exótico e barato. Houve aumento do turismo de estrangeiros e do turismo interno no país. E com estas novas demandas, o governo brasileiro, juntamente com a iniciativa privada, passou a investir mais em infra-estrutura e serviços direcionados ao turismo. O propósito? Gerar renda, inclusão social, valorização da nossa cultura, paisagens naturais e história.

Diante de tal cenário percebo que nós, brasileiros, aprendemos a priorizar e planejar viagens recentemente. E mais recente ainda é a busca por destinos alternativos dentro do país. Há, por aqui, uma forte tendência ao turismo de sol e praia, com intenso fluxo nas férias de verão. Sem dúvida, este já é um desafio que o setor está trabalhando junto ao governo. Um exemplo é o Programa de Regionalização do Turismo do Brasil que vem investindo em 65 destinos prioritários distribuídos por todo o país, criando ou melhorando ofertas e oportunidades de crescimento da atividade turística.

Nossa cultura de viajar a lazer é um pouco limitada, principalmente quando pensamos em planejamento econômico. Guardar dinheiro para viajar não está na lista de prioridades do brasileiro.  Mas pelo menos, de forma bastante positiva, o Brasil vem buscando alternativas para que todas as classes sociais tenham acesso a serviços e pacotes turísticos e possam desfrutar da diversidade e beleza do país. Há programas de financiamento de viagens e alguns serviços que oferecerem tarifas mais baratas para datas e épocas alternativas, fora da alta temporada e feriados.

Em 2010, tive a oportunidade de conhecer dois dos mais famosos destinos de turismo de aventura e natureza do Brasil: Chapada Diamantina (Bahia) e Aparados da Serra e Serra Geral – entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Foram duas viagens completamente diferentes que tiveram uma importância significativa no meu entendimento da beleza e da força que é um país construído pela diversidade de povos, culturas, paisagens e relevos. País este que, apesar de enfrentar sérios problemas sociais, falta de infra-estrutura e problemas aéreos, ainda apresenta terreno fértil para novas alternativas, potencializando o que temos de mais valioso: nossa criatividade, flexibilidade, simplicidade, alegria e esperança. Felizmente, o Brasil está cheio de pessoas que acreditam que é possível fazer diferente e cuidar do que amamos. São muitos os projetos e iniciativas de transformação social que aplicam, na prática, alternativas sustentáveis de vida – bioconstruções, agricultura orgânica, educação ambiental, etc.

Por tudo isso, acredito que temos sim, dentro do Brasil, opções de lazer e turismo tão atrativas quanto nos destinos internacionais mais procurados. Acredito também, que podemos nos tornar turistas mais conscientes e sustentáveis, aprimorando o conhecimento sobre nosso país e criando uma cultura de planejar as viagens. Escolher melhor os roteiros e os prestadores de serviços, priorizando aqueles envolvidos em projetos de desenvolvimento do destino, que atendem normas e exigências de qualidade e segurança e apóiam iniciativas de inclusão social e valorização cultural das comunidades. Isso é pró-atividade. Não depende dos outros, depende de cada um de nós, brasileiros, mudarmos nosso jeito de viajar, de olhar o Brasil e reconhecer a riqueza que é este país.

*que não vê a hora de escolher um novo destino no Brasil e botar o pé na estrada!

Este slideshow necessita de JavaScript.


Para grandes aventuras, pequenas distâncias bastam …

Nesse mês de novembro, a Gondwana Brasil Ecoturismo lançou alguns roteiros – em Curitiba e região metropolitana – que misturam novas formas de conhecer lugares. As atividades oferecem interação com a cultura e arquitetura local, ar fresco das montanhas e uma pitada de aventura. Quero compartilhar aqui com vocês, dois destes roteiros promocionais – organizados em parceria com a Kuritbikes e Marumby Montanhismo.

Dia 5 de dezembro – Pedal pelas Ciclovias de Curitiba

No dia 6 de novembro a equipe Gondwana experimentou um dos novos roteiros de bike pelas ciclovias de Curitiba. Pedalamos do Passeio Público até o Parque São Lourenço, com direito a uma parada no Bosque do Papa para se deliciar com as tortas polonesas, feitas até hoje seguindo antigas tradições. Foram 4 horas de passeio; leve, divertido e apetitoso.

Já tínhamos feito alguns passeios de bicicleta pela cidade, mas nunca com o olhar ou a expectativa de um viajante.  Viajante: pessoa sem pressa e sem compromissos, cheia de curiosidade, interessada em aprender coisas novas, degustar novos sabores, escutar histórias e conhecer novas pessoas.

Por tudo isso, fica aqui o convite para que todos experimentem o passeio de bicicleta pelas ciclovias de Curitiba. Pode parecer algo comum num primeiro momento, mas na verdade é uma oportunidade de conhecermos nossa cidade de uma maneira diferente. Explorar novos espaços, examinar nossos rios, matas e lagos. Reconhecer nossa identidade e despertar a cidadania.

Durante a pedalada, faremos paradas e visitas a parques e museus da cidade. Para quem quiser sentir desde já o gostinho do que poderá ser apreciado, segue o link da programação do Museu Oscar Niemeyer, um dos locais de visitação do roteiro de 5 de dezembro. http://www.museuoscarniemeyer.org.br

Preparem as bicicletas! Se necessário, podemos indicar locais para você fazer uma revisão de sua bike. E se ainda não tem uma, não deixe de participar, alugamos uma para você, especialmente para o passeio, por R$ 15 reais.

Venha pedalar conosco!

Inscrições até dia 2 de dezembro.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Dia de Montanha no Morro do Anhangava

A montanha do Anhangava não foi a primeira montanha que subi, mas certamente foi a que mais vezes subi. Por apresentar trilha bem sinalizada, caminhada menos pesada e um visual tão lindo quanto das montanhas mais altas na Serra do Mar, acredito que nunca é demais repetir a experiência.

Caminhar até o cume do Anhangava, respirar e observar o contorno do Pico do Marumbi, do Pico do Paraná, Agudo da Cotia, entre outras montanhas, proporciona uma sensação de integração com o lugar. É uma conquista que vai além do esforço físico e nos reconecta com um silêncio interno. Toma conta de todo o corpo, mente e alma. Uma calmaria, que por muitas vezes dura vários dias. É como se recebêssemos doses homeopáticas de tranquilidade, equilibrio, felicidade e diversão, além de um forte sentimento de liberdade.

Para saber mais dessa aventura sugiro que vocês se lancem na próxima saída da Gondwana. Confira as datas em nosso calendário no site www.gondwanabrasil.com.br.

* Por Daniela Meres


Apenas cinco minutos

São apenas cinco minutos. Cinco minutos de exercícios físicos em uma “área verde”, como um parque, por exemplo, podem ser suficientes para melhorar a saúde mental, segundo cientistas britânicos.

Pesquisadores da Universidade de Essex examinaram dados de 1.250 pessoas e verificaram que aquelas que praticaram atividades físicas ao ar livre obtiveram melhora de humor e autoestima. Foram analisadas atividades distintas: caminhada, ciclismo, pesca, jardinagem, cavalgada e remo, em lugares como parques, jardins, fazendas e reservas naturais.

De acordo com os cientistas, o maior efeito sobre o bem-estar mental surge em apenas cinco minutos. Com o passar do tempo, os efeitos positivos continuam aparentes, mas em menor magnitude. Tais efeitos são ainda maiores se o local do exercício também tiver água, como um lago ou um rio (fonte: BBC Brasil).

Sempre acreditei que ambientes naturais e seres humanos têm uma relação de interdependência. Estar na natureza é uma experiência de troca constante com a vida, com o lugar, seus habitantes e você mesmo.

E, quanto mais vivenciarmos essa relação, melhor a compreendemos e por fim, podemos construir um senso de cuidado com nosso planeta e com o outro.

Culturas mais antigas e povos indígenas eternizaram em suas palavras: “Somos todos filhos da terra, somos parte de cada lugar, bicho, pessoa, pensamento e sonho desse planeta. O que plantarmos hoje, será inevitavelmente parte do nosso futuro. Tudo faz parte de uma coisa só.  Estamos conectados, somos rede”.

Mas como ter consciência dessa relação de interdepêndencia se estamos cada vez mais dependentes de carros, computadores, celulares, vícios, consumos, etc?

Todos esses elementos materiais nos distanciam de nossa essência. Trancados entre quatro paredes, em meio a tecnologias e maquinas, nossos sentidos permanecem adormecidos. Muitas vezes não percebemos que estamos fugindo do que é real, num mundo virtual e digital, em busca de algo que nos resgate e complete. Só que esse resgate e preenchimento não acontece com downloads. Precisamos experimentar e despertar os sentidos.

Sendo assim, por que não parar um pouco de correr entre escritório, máquinas e compromissos, ir ao parque e correr atrás de novas inspirações, descobrir novos hábitos e cultivar uma vida mais saudável?

Sim, podemos e devemos provar desses “cinco minutos”. E aí, quem sabe, abrir a porta para uma mudança, criar um novo estilo de vida, com hábitos e valores que levam em consideração nossa vontade e direito de viver feliz e em harmonia com a gente e com a natureza.

Se deixarmos a experiência dos “cinco minutos” trabalhar em nossa mente, alma e corpo, certamente alcançaremos o equilíbrio. Precisamos reaprender a viver. Estar mais perto da natureza e, conseqüentemente, da nossa essência. Reconhecer a importância de fazer pequenos intervalos na rotina. Priorizar o tempo livre, o descanso, a brincadeira e os encontros com as pessoas.

Por tudo isso, não deixe de incluir em sua agenda, momentos de reconexão com a vida. Deixe que esse tempo, cinco minutos, cresça dentro de você. Pratique mais atividades ao ar livre. Esteja mais presente em sua própria vida. Respire mais fundo, mais devagar e com mais entusiasmo. Seja mais feliz!

Descubra, no topo de uma montanha ou debaixo de uma cachoeira, que o tempo e o ritmo são relativos e que nossos problemas são muito pequenos perto da grandeza que é estar perto da fonte, da mãe natureza.

*Por Daniela Meres – que agora não para de pensar em todas as coisas boas que podemos fazer perto de Curitiba, na região da Serra do Mar e Litoral do Paraná.

Este slideshow necessita de JavaScript.


Viajando contra o fluxo

Canoagem Rio Sai Mirim. Foto: Sandra Tavares

Viajando contra o fluxo

Por Daniela Meres*

Neste feriado de sete de setembro decidi não ser mais um carro na estrada indo ao mesmo tempo para o mesmo lugar que muita gente. Resolvi que para chegar num lugar diferente, descansar e relaxar, não precisava  enfrentar horas de trânsito, confusão e agitação. Não precisava sair no primeiro e voltar no último dia do feriado. Sim, é possível fazer uma viagem agradável num “feriadão” e é possível ir contra o fluxo e a multidão.

Eu e a Tati, parceira de trabalho e de viagens fizemos isso no último feriado. Estávamos com duas crianças cheias de vontade de conhecer e estar perto da natureza: meu filho de um ano e 10 meses e a sobrinha dela de seis anos. Saímos no domingo de manhã. Nosso destino não estava muito longe de Curitiba, mas certamente não fazia parte dos destinos mais procurados em épocas de feriado e férias. Este foi um dos motivos de nossa escolha.

A Reserva Volta Velha é uma Reserva Privada do Patrimônio Natural (RPPN) criada pela família Machado em 1992 com o objetivo de conservar um dos últimos remanescentes da Floresta Ombrófila Densa das Planícies Quaternárias do litoral norte de Santa Catarina.

Lá, nossa programação foi intensa. Caminhadas na floresta, visita a Oca Indígena, canoagem no Rio Saí Mirim, passeio na praia de Itapoá, futebol no gramado, comida caseira, observação de aves, sonecas debaixo de árvores e muita conversa boa e histórias compartilhadas.

Viajar e poder vivenciar a essência do lugar é sempre bom. E fugir do fluxo comum, optando por estradas ainda não conhecidas é melhor ainda.

Além do mais, indo contra o fluxo turístico conseguimos poupar dinheiro, fugir de confusão, ganhar mais tempo e qualidade na experiência.

Pense nisso. Pode ser uma boa idéia para o próximo feriado ou quem sabe, para as próximas férias.

Canoagem no Rio Sai Mirim. Foto: Sandra Tavares

Reserva Volta Velha. Foto: Sandra Tavares

* que agora quer reaprender a viver aventuras em companhia de seu filho de quase dois anos – o Chicão.


Viagens de Conhecimento, aventuras de verdade!

Viagens de Conhecimento – Aventuras de Verdade!

Por Daniela Meres*

Sempre que viajamos, gostamos de escrever e fotografar. É como se isso fosse necessário para guardarmos esses momentos para o resto de nossas vidas.

Muitas das paisagens, das pessoas, dos sons, cheiros e gostos que experimentamos durante uma viagem causam um efeito transformador em nós viajantes, para o resto de nossas vidas. É quase como se cada viagem fosse uma vida concluída, só que com possibilidade de continuar e querer mais.

Um dia, porém, as viagens terminam e aí voltamos aos dias comuns de nossas vidas: dentro de escritórios, no trânsito, entre trabalhos, casa, academia e atividades rotineiras da cidade grande. Por isso, resgatar o álbum de fotos ou o diário de viagem, muitas vezes preenchidos com a crença de que o melhor da vida ficou por lá, nos ajuda a acreditar que é sempre possível mudar e melhorar, até o dia da próxima partida chegar.

Guardamos entre sete chaves na nossa memória… a simplicidade de  ser feliz integralmente, a sensação de fazer parte da natureza, a possibilidade de degustar cada segundo do dia e da noite, o direito de poder “perder tempo” com conversas fiadas, de ouvir histórias de pessoas desconhecidas e se emocionar junto com elas, a importância de praticar yoga, meditar, dançar cantando, caminhar por caminhar, encontrar ou desencontrar amigos sem a obrigação de ter que ficar junto, abraçar as árvores, ouvir os pássaros, deitar na terra, beber água da fonte, andar descalço, participar de uma roda de chimarrão, comer frutas do pomar, brincar, acolher um olhar, sentir saudades de casa, reaprender o valor da família e dos verdadeiros amigos, aprender a cuidar dos outros e de nós mesmos, ter compaixão e compreender a linguagem e o mundo das crianças, um mundo sem fronteiras.

Esses são os sentimentos que nos invadem durante uma aventura de verdade. Caminhamos livres e de forma espontânea na estrada da vida em busca de um lindo diamante – cada um tem o seu.

São muitas as bênçãos que aparecem no caminho, que ajudam a não nos sentirmos sós, apesar de ser uma caminhada individual. Nos sentimos livres para ser o que somos na essência, vivermos nossas verdades e o mais importante, aceitamos as verdades dos outros, em paz e plenitude.

Só o sábio tempo tem o poder e o dom de trazer uma maior consciência desse mundo sem fronteiras, sem sofrimentos e verdadeiro, existente dentro de cada ser humano. É preciso ter coragem, criar diálogo entre as diferenças e ter atitudes práticas, impulsionadas pela voz e força dos nossos corações.

Eu fui além do horizonte, acima das montanhas, de baixo de muita água de cachoeira e principalmente para dentro de mim, refazendo toda a minha trajetória como criança, menina, mulher e agora mãe, para reafirmar as minhas próprias dimensões, os meus limites, os meus medos e as minhas virtudes.

E, para terminar, viagens para mim têm muito de tudo isso. Quando programamos nossas partidas, escutando o chamado do coração – escolhemos o lugar certo, conhecemos as pessoas esperadas, aprendemos as lições da alma e vivemos a nossa lenda pessoal. Vivemos a lenda do mundo que acreditamos existir dentro de nós e compartilhamos com o universo. É como se fosse uma grande dança, simples, mas grandiosa.

Por isso, uma dica de boa viagem: abra-se para os mistérios da vida, arranje mais tempo para aventuras inspiradoras, escute mais os chamados inesperados, resgate sonhos de infância ainda bem guardados e se dê o presente de descobrir o mundo que existe dentro e fora de você!


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.